Imprensa

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Educar com ou sem tecnologia?

Há sempre vantagens e desvantagens para ambos

Há quem seja a favor e ate pense que é uma forma de culturização e fonte de convívio familiar. Outros defendem que é uma questão de saúde publica, ou seja a associação amarecina pediátrica em 2014, as crianças com menos de 2 anos não devem qq contato com nenhum aparelho eletrônico. E as com mais de 2, devem ter 2h apenas de contato diário

A mesma organização di que essas crianças correm maior risco de ser obesasagressivas e consumistas. Mas será assim causa efeito?

A meu ver o importante é regras, não mais de 2 horas dia, à noite não vão telemóveis para quarto, não há telemóveis na hora da refeição. O equilíbrio é a perfeição. 

Dar exemplo, os meus pais fazem e os miúdos cumprem, cedência de parte a parte. Se não miúdos dizem porque eu não posso se o pai passa também a vida no pc ou telefone?

Proibir não é solução, historia do fruto proibido o mais apetecido

 

Há quem diga que os adolescentes não estabelecem conversa com pais devido ao tempo exagerado ao telefone. A mim parece que isso acontece quando não se estabeleceu uma relação de confiança e partilha. Não partilham porque não aprenderam, eles são o nosso espelho. 

Há estudos que indicam que o uso abusivo causa alterações cerebrais a nível da inteligência não verbal, bem como perda de memoria espacial.

O ideal é usarem sim, mas também saltar a corda, fazer desenhos, jogos cartas e tabuleiro com pais…. É bom e divertido para todos. Mas isso temos de ser nos a ensinar. Se pelo contrario os deixamos enquanto pequenos no tablet para naõ chatear, gritar, para estarem sossegados porque nos estamos cansado, então eles aprendem e em adolescentes fazem o memo. Não sabem fazer mais nada. Pais percebem que é mais fácil comer de tablet ou tv. Distrair enquanto vão jantar fora com tablet ou smatphone, e depois queremos o quê?

 

Cabe a cada família definir regras e se sim ou não, e valorizar vantagens e desvantagens de cada…

Nos eua,  assinam contrato meio termo

A constante pressão dos professores, pais para alcançar a perfeição é constante e tem um impacto negativo na felicidade da crianças. Por um lado pais não tem tempo de qualidade com filhos para brincar. O castigo é o principal motivo de tristeza nas crianças. Por outro lado os valores positivos, amizade, relações sociais, familiares são incentivo para estilo de vida saudável e construção da felicidade das crianças.

 

Para educar crianças felizes

Ter ambiente familiar feliz e equilibrado

Incutir a importância da construção de relações saudáveis

Não incutir a perfeição, mas sim o esforço, haver tempo para brincar

Ser otimista

Educar a inteligência emocional e autodisciplina

Refeições família/jantar

Para educar crianças felizes

  • Ter ambiente familiar feliz e equilibrado
  • Incutir a importância da construção de relações saudáveis
  • Não incutir a perfeição, mas sim o esforço, haver tempo para brincar
  • Ser otimista
  • Educar a inteligência emocional e autodisciplina
  • Refeições família/jantar

Até aos 2 anos NÃO!

Depois dos 2 anos – 2h por dia;

Afeta: memória espacial

             inteligência não verbal

             agressividade

             obesidade infantil

              consumismo

Alternativas ao “gritar” com os filhos

Psicóloga afirma que é comum pais referirem que para que os filhos lhes obedeçam, gritam com eles. Porém há formas mais eficazes de comunicar com crianças e adolescentes, de forma a que compreendam a necessidade e importância de cumprir regras. 

Bárbara Ramos Dias, psicóloga clínica com vários anos de experiência com crianças e adolescentes, revela as consequências de gritar com os filhos e também algumas estratégias alternativas.

 

Quais são as consequências a curto e longo prazo de gritar?

  • Diminuição da autoestima e autoconfiança da criança
  • Aumento de sintomas depressivos
  • Aumento da agressividade e comportamentos de oposição
  • Aumento da ansiedade
  • Diminuição da regulação emocional
  • Diminuição do vínculo parental
  • Compromete o desenvolvimento social

 

Quais são os comportamentos alternativos a gritar?

  • Deixar post-its pela casa relembrando as tarefas que as crianças/adolescentes têm que fazer;
  • Não se prolongar quando faz uma ordem, apenas diga o que quer que os seus filhos façam, mesmo que eles rebatam (e.g.: “João, quero os pratos no lava-louça, por favor” em vez de “eu estou cansada, estive a trabalhar o dia todo e tu nem sequer consegues fazer o esforço de pôr os pratos no lava-louça…”)
  • Quando a criança fizer alguma coisa de errado, redirecionar para outra atividade mais produtiva, explicando o motivo pelo qual ela não pode fazer mais aquilo
  • Falar de forma calma e assertiva, mantendo o contato visual com a criança/adolescente
  • Mesmo que, por algum motivo, grite, admita o seu erro e peça desculpa à criança/adolescente, tentando acalmar-se e passar a mensagem de forma assertiva em vez de agressiva. 
  • Em vez de gritar porque a criança teve um comportamento errado, explique-lhe as regras que tem que seguir e imponha limites. Crianças/adolescentes precisam de limites.
  • Nunca critique a criança: a sua personalidade, o seu carácter. Se a criança fez alguma coisa mal, corrija o comportamento.
  • Ao dar ordens ou chamar a atenção a comportamentos, evidencie os seus sentimentos (e.g.: “a mãe/pai fica muito feliz quando ajudas cá em casa”; “a mãe/pai ficava mais descansada(o) se ligasses quando chegasses a casa do teu amigo”).
  • Tente sempre dialogar com o seu filho para entender a sua perspectiva.

 

Alternativas ao castigo

Hoje em dia é ainda muito comum os pais castigarem os filhos quando estes desobedecem às regras ou têm comportamentos inadequados. Porém, por vezes esta pode não ser a melhor solução.  A psicóloga Bárbara Ramos Dias afirma que é muito mais eficaz utilizar o reforço comportamental, isto é, adicionar um estímulo positivo (como o elogio), no sentido de promover um comportamento adequado, do que punir comportamentos inadequados, como acontece no caso do castigo. Neste sentido, Bárbara Ramos Dias refere algumas alternativas ao castigo que poderão ajudar o seu filho a ter comportamentos mais adequados:

  1. Utilizar a técnica do time in: escolher um momento a sós com o seu filho, de forma a conversar com ele sobre o que o levou a ter o comportamento inadequado e também falar de comportamentos alternativos;
  2. Resolver o problema em conjunto poderá ajudá-lo a compreender o que o seu filho sente e as suas motivações para agir de determinada maneira. Esta estratégia não só o aproxima do seu filho, como ajuda-o a criar estratégias de resolução de problemas e de pensamento alternativo;
  3. Dê uma segunda oportunidade ao seu filho, caso ele tenha errado. Imagine que o seu filho risca a parede toda com canetas. Em vez de o pôr de castigo, dê-lhe a oportunidade e alternativa para ter o comportamento acertado: mostre-lhe uma folha e diga-lhe para não fazer rabiscos na parede, mas sim na folha;
  4. Antes de punir o seu filho, pergunte-lhe porquê que ele tomou certa atitude e faça-o pensar sobre o assunto de forma crítica. Assim, ele compreenderá o que fez de mal e não o voltará a fazer;
  5. Ler histórias é também uma boa estratégia para o seu filho compreender o que são comportamentos inapropriados e também as suas emoções;
  6. Peça ao seu filho para se pôr no papel de pai e pergunte-lhe o que faria se estivesse na sua situação. Assim o seu filho conseguirá empatia consigo e compreender porquê que o comportamento que teve é inadequado.
  7. Através de brincadeiras também pode dizer ao seu filho que agiu de forma errada. Por exemplo pode usar um fantoche ou boneca e fazê-la ensinar um comportamento mais apropriado. Por exemplo: “Olá, eu sou o ursinho e olha, parece que tu pintaste o chão com tintas. Vou voar para a cozinha para ir buscar uma esponja para limparmos o chão juntos. Vens comigo?” E depois de limparem “Agora vamos buscar uma folha de papel para fazeres um desenho para mim no papel! O papel é para pintar com as tintas!”
  8. Dê opções ao seu filho, dando-lhe alternativas seguras e aceitáveis para que ele possa escolher o que quer fazer em detrimento de um comportamento inadequado. Assim a criança sente-se em controlo da situação e aprende alguns limites e regras.

Ajudar ou não nos T.P.C.?

Uma coisa é ajudar, orientar, apoiar no planeamento, tirar dúvidas, etc. outra coisa, é fazer as coisas por eles.

Muitos miúdos queixam-se em consulta agora durante a quarentena, que os pais fazem por eles os trabalhos, para não irem errados, que lhes fazem os resumos, etc.

Atenção, nós somos pais, não professores. O nosso papel é orientar, não fazer por eles. Se não como vai ser quando crescerem? Como vão lidar com a frustração, com o falhar? Temos de os deixar cair, e depois estar lá para os amparar, dar apoio, não fazer por eles, se não estamos a fazer com que os nossos filhos se sintam inseguros, incapazes.

Como sabe tenho 3 filhos, como seria fazer os trabalhos dos 3?

Dou apoio sim, tiro dúvidas, mas não faço por eles. Dou liberdade com responsabilidade.

O vivente, o mais pequeno, está no 2º ano, e obviamente ainda dá muitos erros. Eu questionei a professora “é para corrigir os erros? Ou enviar como está?”. A professora, respondeu de imediato, “deixe vir com os erros, para perceber como ele está, e quais são as suas dúvidas. Se corrigir eu não sei, que ele não sabe!”

A mim, faz todo o sentido, e é o que tenho feito. 

Pepitas de alegria

Bárbara 

 

Adeus “Depre”, até nunca!

Portugal é o país do “vai-se andando…”, “mais ou menos”, “vou como deus quer…”, “uns dias mal… outros pior…”, “tudo me acontece”, “não merece a pena…”. Stop! Vamos pensar juntos, com este clima maravilhoso, com este sol e mar, o que nos falta? Porquê tanta melancolia, angústia, tristeza e ansiedade? 

Cada um saberá as suas razões, mas acima de tudo, cada um terá de saber enfrentar e dar a volta à questão, com pequenas alterações no seu dia a dia. Onde estão as suas forças? Onde as pode ir buscar?

O desafio é que a maioria das pessoas, vive das lembranças do passado, ou a pensar no que quer ter ou ser no futuro. Vamos aprender a focar no presente? Feche o ciclo mau, feche as portas encravadas, encerre o capítulo e siga em frente.  Saboreie e agradeça o que tem, em vez de sonhar com o que poderia ter. Verá que a vida lhe dará muito mais.

As causas da depressão são distintas, poderá advir de um acontecimento traumático, mas também pode ter origem na falta de alguma substância química no organismo, nomeadamente serotonina, dopamina, endorfinas, ou mesmo noradrenalina que prejudica o sono, provocando insónias.

A boa notícia é que podemos encontrar a produção destas substâncias em pequenos hábitos diários, que podem passar a fazer parte do seu quotidiano (rir, abraçar, caminhar, sexo, alimentação, entre outras que irá ver no quadro abaixo). É uma questão de hábito. E o hábito gera-se em 21 dias. O importante é não desistir!

Como fugir da depressão fazendo pequenas coisas no dia a dia?

  1. Pelo menos 10 minutos por dia, faça algo que gosta muito. Está perdida e não sabe o que a faz feliz?  Lembra-se daquilo que lhe dava prazer em criança. Acredite, é o mesmo que a vai fazer feliz hoje! Era correr? Andar bicicleta? Desenhar? Saltar à corda ou no trampolim?
  2. Foque no positivo e não no negativo (PPP- pensamentos positivos permanentes); Frasco dos positivos (colocar todos os dias um papel de gratidão num frasco, e só abre passado 1 ano)
  3. Exercício físico
  4. Fazer massagem uma vez por semana
  5. Banho no mar
  6. Abraços verdadeiros (oxitocina)
  7. Fazer Meditação diária
  8. Investir na Alimentação que baixa os níveis de stress (brócolis, abacate, espinafres, laranja, alface, maracujá, muita água para hidratar o cérebro)
  9. Caminhadas ao sol e perto do mar (serotonina)
  10. Brincar e divertir
  11. Almoçar, lanchar ou tomar café com amigas
  12. Focar na respiração (exercícios)
  13. Praticar mais Sexo
  14. Saborear Chocolate 
  15. Rir e contato com natureza
  16. Psicoterapia semanal
  17. Reflexologia

 

Agora que já sabe, vamos evoluir? Quais as alterações que se compromete comigo e consigo a praticar? Lembre-se: depressão é diferente de estar triste. Tem uma depressão que carece de apoio psicológico para ter novas ferramentas?  Foi ao médico e necessita medicação? Se não, se é uma situação mais leve, força, todos conseguimos o que queremos, temos é de querer, e isso às vezes é o mais difícil! 

Psicóloga Clínica, Especialista Adolescentes

Bárbara Ramos Dias

A importância dos livros no desenvolvimento das crianças, não só em termos culturais, como emocionais e sociais

A leitura começa muito antes de as crianças saberem ler, por isso os livros devem fazer parte, desde cedo, do contexto infantil e familiar das crianças. Todo o contexto, quer familiar, quer educativo da criança deve proporcionar-lhe oportunidades que lhe permitam o contato com a leitura. Essas experiências agradáveis com a literatura devem ser convenientemente planeadas de modo a desenvolver na criança uma atitude positiva e de prazer pelos livros. Por isso, é papel dos pais e cuidadores introduzirem este hábito desde cedo, quer seja lendo para e com os filhos, ou dando o exemplo. O livro é um grande elo de aproximação entre pais e filhos, servindo como ferramenta para o diálogo, aprendizagem, além de ser um momento único de carinho, afeto e troca.

A leitura desempenha um papel educativo, recreativo e cultural. Um livro pode ser uma fonte de prazer, no entanto poderá ter uma ação mais profunda por ser uma fonte de enriquecimento, que favorece o desenvolvimento, a criatividade, a imaginação, o sentido crítico, a empatia, e permite que a criança entre em contato com o pensamento humano. Através da leitura, a criança aprende a língua, aumenta a cultura geral e expande os seus horizontes.

Na infância, a leitura é extremamente importante, pois é capaz de provocar sentimentos (promovendo competências de gestão emocional), promover associação do mundo imaginário a situações que as crianças vivem no cotidiano, ampliar a compreensão da realidade.  

 

10 Benefícios em ler com seus filhos:

  1. A empatia despertada pela narrativa gera uma reflexão para a criança e estimula seu desenvolvimento emocional;
  2. Aumenta a capacidade de concentração e atenção;
  3. Estimula a criatividade e as habilidades linguísticas, de memória e conhecimento dos pequenos;
  4. Amplia o vocabulário da criança;
  5. Ajuda no desenvolvimento da linguagem tanto escrita quanto oral;
  6. Aumenta a habilidade da escuta ativa;
  7. Estimula a imaginação e aguça a curiosidade;
  8. Provoca o senso crítico da criança;
  9. Ampliam várias conexões cerebrais que despertam hormonas do prazer e do relaxamento;
  10. Ajuda a criança a relaxar e a dormir melhor.

A importância do brincar na vida do teu filho

Quando eu era miúda, brincávamos na rua horas a fim, até nos chamarem á hora de jantar. Era apanhada, às escondidas, elástico, a tocar às campainhas e fugir, a atirar balões de água, lá íamos nós de bicicleta de um lado para outro, a quebrar regras e a testar limites. Subíamos árvores, íamos a locais abandonados, caiamos e levantávamos,  criávamos brincadeiras, apanhávamos fruta, lembro-me dos figos e amoras, num sítio que claro hoje é só prédios, lembro-me até de beber água de uma fonte  externa assim que aprendíamos. O difícil era saber o que íamos fazer no dia seguinte. Havia sempre um milhão de coisas para fazer.

 

Nos dias de chuva, ou se tínhamos de ficar em casa, haja criatividade, agarrávamos na lista telefônica e “estou Sr. Coelho’ era para dizer que já temos aqui as suas cenouras!”, “estou Sr por… ou jogávamos cartas, íamos ao vídeo clube buscar filmes de terror e  víamos filmes alugados com pipocas e bolos, jogávamos ao jogo do copo, era só disparates próprios da idade. Alguns de nós já tínhamos os jogos ligados à rádio das cassetes e fazia um barulhão incrível. 

Hoje sinto que os miúdos não sabem brincar, limitam-se a estar fechados no seu mundo do tablet, onde as séries substituem as próprias vivências… Conversas nas redes digitais são mais importantes do que confrontos cara a cara e abraços.

 

Hoje não existe porque? Porque a tecnologia invade a nossa vida de forma massiva na vida, trabalhamos e vivemos a uma velocidade louca.

Benefícios de brincar na Rua

  •  Combate a obesidade;
  •  Conhecimento do corpo
  •  Estimula o otimismo, cooperação e negociação
  •  Estabelece regras e limites
  •  Capacidade de resiliência
  •  Promove a criatividade e imaginação 
  •  Atenção e autocontrolo
  •  Acaba com tédio e tristeza
  •  Incentiva trabalho em equipa
  •  Instiga raciocínio estratégico

A culpa de ter culpa

Todos nós já vimos a típica publicidade de mulheres e homens super-heróis. Conseguem acordar cedo, fazer exercício, tomar um pequeno-almoço saudável com ovos, fruta fresca e pão feito em casa sem glúten, levar os filhos à escola, ir para o trabalho e ser produtivo durante as oito horas obrigatórias, voltar para casa, fazer jantar e ainda ter tempo para os filhos e companheiro, para no dia seguinte repetirem a mesma rotina perfeita. Quer sorte, mas nem todos assim, e ainda bem, somos humanos!

Basta sairmos de casa, ligarmos o rádio ou a televisão para sermos bombardeados com anúncios que nos apelam a ser diferentes do que realmente somos.  A verdade é que estes estímulos levam a que nos sintamos insuficientes, que tentemos alcançar um padrão inalcançável, que se traduz em insatisfação, frustração, e falta de confiança nas nossas vidas. 

“Realmente, eu poderia trabalhar mais, eu poderia dar mais atenção aos meus filhos, eu poderia emagrecer aqueles 5 quilos a mais. Hoje em dia, com a enorme quantidade de informações às quais temos acesso, é natural sentir culpa por comer o chocolate de que tanto gosta, por tirar um dia de folga ou por não ter tempo para dar a atenção que desejava a alguém….”, entramos na ditadura do “devo/tenho que, devia, se eu quisesse eu podia. O que nos leva a pensar: “quero realmente” e caímos no poço do perfeccionismo, no qual defeitos não são aceitáveis e erros são imperdoáveis. Parece não haver meio termo: ou se é perfeito e faz-se tudo bem, ou não se é nada. Feliz ou infelizmente, a busca pela perfeição é irrealista e só nos traz frustração e sentimentos de fracasso. Erros fazem parte da vida; são os erros que nos ajudam a crescer e a aprender a ser e fazer cada vez melhor. Se não erramos, é porque não experimentamos, porque não arriscamos e vivemos.. 

Uma das consequências certas do perfeccionismo é a culpa: culpa por não ter tempo para tudo, culpa por não ser boa mãe, culpa por não conseguir ser melhor, culpa por não conseguir corresponder a todas as expectativas que depositam em nós. Enfim, culpa por sentir culpa. Este sentimento surge quando valorizamos muito as nossas falhas, erros e imperfeições em vez de apreciar todos os aspetos bons que temos e de que nos devemos orgulhar.  É só trocar o ponto de foco, do negativo para o positivo.

É o autojulgamento que leva à culpa. Este é um sentimento de remorso que experienciamos por algo que fizemos ou sobre o qual nos sentimos responsáveis. Isto pode tirar-nos o sono e uma boa parte da nossa autoestima por não nos sentirmos suficientes. 

Por exemplo, se tem filhos deve rever-se na situação de alternar todo o tempo sentimentos contraditórios, como o amor incondicional e uma culpa atroz por achar que não faz o suficiente por eles.  Muitas vezes, em consulta, chegam-me pacientes, (habitualmente mães) que falam da culpa que sentem de não ter tempo para os filhos, não ter paciência ou de, por vezes, não apetecer “celebrar” o amor, ou culpa de gritarem muito, de estar sempre cansadas. Vamos parar e pensar: se dedicarmos algum tempo do nosso dia- nem que sejam 10 minutos- a nós mesmos e a fazer alguma coisa de que realmente gostamos, não teremos mais disponibilidade para os outros que nos rodeiam?

 Faça uma pausa e faça uma lista de pelo menos três coisas de que gosta de fazer. Já as anotou? Agora pense numa altura do dia em que tenha mais disponibilidade e probabilidade de as conseguir fazer, um momento só seu durante o dia. Não é difícil, é uma questão de gerir o seu tempo, organizar-se e falar com as pessoas com quem mais convive sobre a necessidade de reservar uns minutinhos consigo mesma. Isto não é um ato de egoísmo, mas sim de amor-próprio.

Nos tempos atuais, a maioria de nós é muito atarefada, envolvida em atividades profissionais, sociais, estudos, tarefas do lar, e claro, com os cuidados com os nossos pequenos. Devido a isto, muitas mulheres sentem-se culpadas por não poderem participar tanto na vida dos filhos quanto gostariam. Na nossa sociedade instituiu-se o seguinte: o pai sai para trabalhar e a mãe fica com as crianças. Esta premissa já sofreu grandes mudanças mas ainda hoje são as mulheres que se sentem responsáveis pelos cuidados com os filhos. É um resquício de passado que infelizmente ainda se mantém nos dias de hoje. 

Ao invés de se afundar em culpa, deve refletir sobre alguns aspetos envolvidos neste sentimento:

  • Diferencie o que você gostaria de dar aos seus filhos em termos de dedicação de tempo e carinho, do que eles realmente precisam. 
  • Lembre-se de que períodos de separação- quando não exagerados- são saudáveis e contribuem  para a relação. 
  • Não se esqueça de que crianças têm alto poder de adaptação. 
  • Saiba que mesmo filhos que passam muito tempo com as mães pedem para ficar ainda mais tempo com elas.
  • Quando estiver com os seus pequenos, esteja presente no momento, saboreie e aproveite cada momento.

É humanamente impossível dar conta de tantas cobranças, expectativas e responsabilidades que colocam sobre nós, tornando-nos culpados e devedores de dívidas impagáveis que nem sempre fomos nós que criamos. Essas cobranças surgem da sociedade. 

Outra das grandes fontes de culpa que observo nas minhas pacientes é o ócio, o momento só delas. Ainda hoje temos dificuldade em usar os momentos ociosos e decidir o que fazer com eles. Tempo livre virou sinónimo de tempo que ainda não foi preenchido por alguma atividade produtiva. O trabalho tornou-se ubíquo com a ajuda do smartphone, e o período de lazer tornou-se, como alguns chamam, “a terceira jornada” em que corremos atrás do entretenimento como se fosse uma tarefa obrigatória, um momento a ser vivido ao máximo, de buscar intensas experiências.  Mas e o descanso? E o prazer?

O ócio, o prazer de fazer absolutamente nada, foi totalmente engolido pela rotina agitada do dia-a-dia. Ter pavor de férias e considerar-se inútil ao “estar à toa” são sentimentos cada vez mais comuns.  Quanto mais desenvolvemos táticas de fuga para não ficarmos sozinhos com os pensamentos, mais surgem movimentos, estudos e especialistas que reforçam a importância do tempo livre para fazer o que se gosta e o que se quer, e o mais importante: sem culpa e sem qualquer objetivo. O grande problema é ocupar-se compulsivamente. 

O ócio, no seu sentido mais puro, é o luxo de poucos.: “Tem de se impor, delimitar os horários e dizer, este é o meu momento comigo mesmo.” A maioria das pessoas se atém aos mesmos programas de sempre: churrasco, tv, internet. Durante o tempo livre, as atividades são buscadas por uma característica cultural, comodidade, modismo ou para agradar amigos e família e não para o próprio bem. Porém, a grande sacada é encontrar alguma atividade que agregue aprendizado intrinsecamente. São momentos que exigem exatamente a energia e habilidade que a pessoa está disposta a desprender. Isso proporciona uma calibragem, o equilíbrio do próprio ser.

Ouvimos muito em consultório as expressões: “o tempo é curto” os dias estão a passar muito rápido, “não tenho tempo”. Talvez você mesmo já tenha usado estas expressões quando não conseguiu finalizar alguma tarefa ou quando ficou sobrecarregado no trabalho. Mas compreenda que o tempo não mudou, ele ainda é o mesmo para todos nós. A sensação de que o tempo está acelerado, na verdade, é a percepção que temos em determinado momento, conforme o nosso estado mental. O que tem aumentado são os compromissos, os desafios, a concorrência entre as empresas, a quantidade de informações e de responsabilidade no trabalho e na vida. O que acelera é o ritmo da vida. 

O tempo é neutro, são 86.400 segundos, 1.440 minutos e 24horas por dia para todos nós. Então as lamentações de falta de tempo e a culpa  não nos vão ajudar a lidar com as pressões do quotidiano. Basta! É preciso aprender a gerir-se a si mesmo, a controlar a ansiedade, saber dizer não às coisas que não são importantes em determinados momentos, abandonar a procrastinação e trocar a pressa por competência, pois a pressa é sinónimo de despreparo e desorganização. Também é necessário aprender a administrar melhor as tarefas, aprender a organizar-se e a planear melhor.  Ninguém tem o poder de mudar o tempo, a maneira como nos organizamos é que determina o nosso êxito. Por outro lado, é essencial aprender a trabalhar em equipa. Quando sabemos trabalhar em equipa somos mais produtivos. As pressões do dia-a-dia são superadas com mais facilidade quando existe um grupo de pessoas conscientes da importância da união, do foco comum e da boa comunicação entre elas para otimizar os resultados. Não queira abraçar o mundo. Divida as tarefas maiores em pequenas etapas. Delegue quando for necessário. Temos que nos lembrar que o sucesso não se alcança sozinho. Não confunda emergência (imediatamente) com urgência (é inadiável- não se pode adiar durante algum tempo). Se está cheio de tarefas urgentes, faça um mapeamento para identificar as causas dessas urgências. Na maioria das vezes as tarefas são urgentes porque eram importantes, mas, por falta de organização, planeamento, ou comunicação, tornam-se urgentes. Por isto, planeie as tarefas importantes, definindo um prazo de execução. Tenha foco e termine o que começou. Observe os seus hábitos, você pode estar permitindo alguns desperdiçadores de tempo que tiram o foco.  Saiba trabalhar com antecipação. Isso não significa atrair problemas, ou viver focado demasiadamente no futuro, mas é visualizar as soluções com intuito de se preparar para dar a melhor resposta diante dos desafios que surgirão. 

A culpa é omnipresente, todos nós carregamos um pouco desse mal nas nossas vidas. Porém, sentir-se culpado não resolve problemas, pelo contrário, o sentimento de culpa pode causar-nos diversas dificuldades como: autopunição, submissão, estagnação, depressão e dificuldade em sentir prazer. 

 

Dicas “Livre-se da culpa”:

  1. Aceite as suas imperfeições; 
  2. Desenvolva a auto responsabilidade. Cuide-se, aceite-se e ame-se e assuma a responsabilidade dos seus atos.
  3. Não viva da aprovação alheia. 
  4. Viva no presente! A culpa é um sentimento que vem do passado. Mude as suas atitudes do presente e crie um novo futuro para si. 
  5. Saiba que há coisas que estão fora do seu controlo, não tem de sentir culpa por isso. 
  6. Escreva sentimentos num diário (e.g.: estou a sentir-me sobrecarregado pela culpa e tristeza. Não consigo parar de pensar nisso. A tensão está a causar-me dores de cabeça e mal estar”)
  7. Esclareça exatamente o motivo pelo qual se sente culpado e aceite-o
  8. Reflita sobre a possibilidade de modificar a forma como age
  9. Escreva frases que expressem a culpa e transforme-as em declarações de gratidão. As declarações de culpa começam frequentemente com “eu devia…”. Transforme estas declarações em frases que enfatizem a gratidão (ex.: transforme “eu deveria ter sido menos critica com o meu marido quando estávamos juntos” em “eu aprendi que não devo ser tão critica em minhas futuras relações”
  10. Faça afirmações diárias, declarações positivas e encorajadoras. Este método pode ajudá-lo a melhorar a autoestima e amor próprio (ex.:“sou uma boa pessoa, e mereço o perdão pelas minhas ações no passado”). Estas declarações podem ajudá-lo a dar um novo significado às suas ações e experiências.
  11. A culpa pode ser uma importante ferramenta de aprendizado para o futuro. Retirar uma lição do ocorrido pode torna-lo mais sábio. 
  12. A culpa pode tornar uma pessoa mais empática, quando ela reconhece danos das suas ações, percebendo como elas afetam os outros.
  13. É impossível mudar o passado, mas você pode escolher a maneira pela qual o passado afeta o presente e futuro. 

Ruminar sentimentos negativos de culpa pode levar a níveis prejudiciais de autodepreciarão.

 

Desafio diário:

Desafio: olhe-se ao espelho uma vez por dia e faça um elogio.

Desafio: crie uma lista de todas as coisas que já realizou na vida e celebre-as.

Desafio: finja por alguns instantes que perdeu a memoria e faça as seguintes perguntas: onde estou? O que está a acontecer neste exato momento? Como me sinto?

  Não é impossível fazer as pazes consigo mesmo, parar de se sentir culpado em vão. Temos que começar a sentirmo-nos como alguém único, autêntico e cheio de coisas boas. Quais são as suas? Você é única e não se importe com a rejeição, porque a sua autenticidade atrai as pessoas que a merecem e os outros não interessa! Fazer as pazes é possível, mas demora tempo. É difícil mudar padrões que duram há tanto tempo e é preciso paciência e um esforço ativo para os conseguir alterar. Não desista de si! Fazer as pazes conosco próprios não tem só a ver com o superficial mas com todas as crenças que nos foram incutidas ao longo da vida. Quais são as suas crenças acerca de si? Deite fora as crenças falsas acerca de si (de que não é merecedor de felicidade e paz). É hora de nos livrarmos desse grande peso, parar de nos culparmos e querermos ser iguais aos outros.  Até porque, será que os outros são perfeitos? Será que o que os outros aparentam é a realidade?

A culpa não nos pertence, por isso podemos abandoná-la a qualquer momento! Liberte-se das suas culpas, e substitua agradecimentos. A culpa nunca fará de si o ator principal, pois rouba sua a autoestima, coragem, alegria de viver e, o pior, transformá-la-á numa vitima cheia de amargura, insegurança e lamentação. 

Percorrer este caminho sozinha é mais duro! Sente que os sentimentos de culpa são avassaladores? Teremos o maior prazer em ouvi-la e ajudar a ultrapassar momentos mais difíceis. Pode contar conosco e tire as suas dúvidas, porque incertezas não traem resultados.

Dúvidas não traem resultados,

Bárbara Ramos Dias

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